O calendário nos lembra que agosto é o Mês Lilás, dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher. É um período crucial para reforçar a importância da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), divulgar canais de denúncia e, acima de tudo, abrir conversas sobre o respeito que, infelizmente, ainda não é universalmente garantido.
No entanto, o respeito não é um valor que pode ser confinado a um único mês. Ele é a base de uma sociedade justa e, para que seja real, precisa ser praticado e defendido em todos os dias do ano, em todos os espaços que ocupamos.
Mas, afinal, o que é respeito?
Muitas vezes, confundimos respeito com a ausência de um comportamento agressivo. É claro que não agredir ou ofender é o mínimo esperado. Mas o respeito genuíno vai muito além disso. Ele se manifesta em ações sutis e conscientes, como:
- Ouvir de verdade: Dar espaço para que uma mulher se expresse sem interrupções, sem concluir suas frases ou desvalorizar sua opinião.
- Reconhecer o mérito: Valorizar o trabalho e as conquistas de uma mulher sem atribuí-las à sorte, à beleza ou à ajuda de alguém.
- Combater o preconceito: Desconstruir estereótipos de gênero que limitam o potencial feminino e questionar piadas ou comentários machistas.
O respeito no ambiente profissional: Um alicerce para a igualdade
O local de trabalho é um dos espaços onde o respeito precisa ser mais rigorosamente cultivado. É ali que mulheres e homens colaboram em busca de objetivos comuns, e a ausência de respeito pode minar a produtividade, a criatividade e a saúde mental de todos.
Como o respeito se traduz em ações concretas no trabalho?
- Igualdade de oportunidades: Respeitar é dar as mesmas chances de crescimento, de assumir projetos desafiadores e de ocupar cargos de liderança, sem que o gênero seja um fator de exclusão.
- Combate ao assédio: A tolerância zero ao assédio (moral ou sexual) é um pilar do respeito. As empresas precisam ter políticas claras, canais de denúncia seguros e uma cultura que encoraje a denúncia e puna os agressores.
- Valorização e reconhecimento: O respeito se manifesta na forma como o trabalho de uma mulher é avaliado. É preciso garantir que o mérito seja o único critério para promoções, aumentos e reconhecimento, combatendo a desigualdade salarial e a tendência de ignorar o trabalho feminino.
A responsabilidade é de todos
A construção de um ambiente de respeito não é uma tarefa exclusiva das mulheres. Os homens têm um papel crucial em apoiar a igualdade, em educar a si mesmos e a outros homens, e em se manifestar contra atitudes desrespeitosas. Ser um aliado significa reconhecer o privilégio e usá-lo para amplificar as vozes femininas.
O Agosto Lilás nos convida a agir, a refletir e a lutar por uma sociedade em que a violência não tenha lugar. Mas o verdadeiro desafio é levar essa luta adiante, em cada interação, em cada decisão e em cada atitude.
Que o respeito se torne, de fato, a nossa norma. Não apenas em agosto, mas em todos os dias do ano.